Finito Infinito
Uma pequena viagem sobre nossa mortalidade.
Recentemente me peguei pensando o que eu faria se eu tivesse mais tempo no meu dia. Será que eu leria mais? Será que eu veria mais lugares? Tentaria criar novos negócios? Seria mais ambicioso?
Ponderei por horas nesse pensamento fútil e, por fim - contra a minha vontade - cheguei na conclusão que de nada adiantaria, para mim, ter mais tempo. Meu problema não está em quanto tempo eu tenho disposto, mas sim na forma em que eu uso o tempo disponível.
Mas, não é como se esse tempo pensativo fosse por nada, afinal me coloquei em outra espiral de pensamentos que para mim foi muito mais interessante que as minhas dúvidas iniciais. Nossa vida - enquanto mortais postos nesse planeta - é um verdadeiro paradoxo, pois, enquanto olhamos para o futuro a partir de nosso presente, parece que o tempo a frente de nós é estranhamente largo, ao ponto de podermos chamá-lo de infinito. É válido dizer que, como engenheiro, falo do infinito não em seu sentido filosófico, poético ou romântico, mas de seu sentido literal - algo incomensurável.
De certa maneira o tempo a qual nos é disposto é infinito, nós não conseguimos ter noção de quanto tempo temos à nossa frente e, creio que por tal razão, perdemos o foco de nossos objetivos e ficamos desmotivados. Com a desmotivação, vem a desistência. Com a desistência, vem a cobrança. Mas porque nos cobrar se em tese nós temos um tempo infinito a nossa frente?
Não irei tratar você, caro leitor, como ingênuo. Óbvio que sabemos que o tempo a nossa frente não é infinito, por isso o paradoxo: Finito Infinito. A cobrança existe pela nossa ciência de nossa mortalidade, pois sabemos que temos muito tempo ainda à nossa frente, mas tememos não ter tempo o suficiente para conquistarmos o que desejamos. Não conseguimos ver 5 anos no futuro, mas conseguimos ver os 5 anos que nos foram desperdiçados vendo vídeos nos Reels e no TikTok.
Falando em redes sociais, tenho como teoria pessoal que a cobrança, que nos auto infligimos, não vem apenas da ciência de nossa mortalidade, mas também do comparativo à mortalidade alheia. Vemos uma pessoa mais jovem que nós e mais bem sucedida que nós, ostentando uma casa de praia e o carro do ano online e já pensamos: "Nossa, poderia ser eu." - mas não ponderamos se essa pessoa passou pela mesma trajetória que nós. Olhamos para o próximo e pensamos: "Caramba, talvez eu esteja atrasado" - mesmo que saibamos que a vida não é uma corrida.
Viver é uma constante luta com a própria mortalidade. Lutar contra o imenso desconhecido do infinito à sua frente para manter em mente o que você deseja em um futuro próximo.
Tenho estado bastante reflexivo e talvez esse texto não esteja tão coerente quanto eu desejaria que estivesse. Estou escrevendo apenas como um hobby e uma maneira de organizar meus pensamentos, então caso esteja confuso: ![[it-is-what-it-is-it-is.gif]](https://vsdrupvkiqkdyyrmchmn.supabase.co/storage/v1/object/public/post-media/d3b687b7-eff6-4a23-be0a-1aa2c2038ffa/1776907692001-it-is-what-it-is-it-is.gif)
Comentários
Seja o primeiro a comentar.